Rentabilidades de Julho

Nota: As rentabilidades mencionadas são líquidas de comissões administrativas, de gestão e de depósito, calculadas com base no valor da UP. Rentabilidades passadas não são garantia de rentabilidades futuras.

Julho foi um mês (bem) positivo para os mercados de dívida e de ações, mas dificilmente poderíamos classificar os desenvolvimentos das últimas semanas como “positivos”. Agravaram-se os sinais de desaceleração económica nas principais economias desenvolvidas e na China e os EUA já estão tecnicamente em recessão após dois trimestres sucessivos de contração da economia. Os bancos centrais continuam a subir as taxas de referência, a inflação permanece em máximos de décadas e sem sinais de alívio a curto prazo e mantém-se o clima de incerteza em relação ao rumo da guerra na Ucrânia e, consequentemente, ao abastecimento de gás natural à Europa por parte da Rússia.
No que toca a Obrigações em euros, temos uma recuperação nos índices (que têm durations médias muito longas) entre os 3% e os 4% em todas as sub-categorias (Tesouro, Corporate Investment Grade, High Yield e Mercados Emergentes). No segmento da dívida soberana (Tesouro) registou-se o primeiro mês positivo do ano, num movimento global, mas liderado pelos emitentes do bloco do euro. No mercado acionista o indice mundial MSCI World fecha a 6.18%, ficando em conformidade com os maiores indices Europeus (EuroStoxx 600 – 6.28%), Americanos (S&P 500 – 7.15%) e de Tóquio (Nikkei 225 – 5.39%). Em termos setoriais, os maiores ganhos foram gerados no setor tecnológico, que é o mais sensível à queda nas taxas de juro de longo prazo.
A um nível Macroeconomico o mês de julho foi preenchido de eventos importantes que definem o sentimento de mercado dos investidores para o futuro. Começando pelos EUA, a Reserva Federal norte-americana subiu os juros de referência em 75 pb, tal como esperado. A decisão foi unânime, segundo anunciou o banco central liderado por Jerome Powell, e justificada pela escalada da inflação nos Estados Unidos para 9.1% em junho.
No velho continente, o mês foi histórico, uma vez que o BCE subiu as taxas de juro na Zona Euro pela primeira vez em 11 anos!! O BCE liderado por Christine Lagarde anunciou após o Conselho de Governadores, um aumento de 50 pb nas três taxas – acima da expetativa do mercado – com efeitos a partir de 27 de julho. Na sequência do aumento dos juros, o BCE considerou ser necessário criar uma nova ferramenta anticrise para prevenir uma nova crise de dívida soberana na Zona Euro — a chamada “fragmentação”, isto é, o agravar dos spreads entre a dívida soberana dos países da periferia e as bunds alemãs. Nasce, assim, o IPT: “será um adicional ao nosso kit de ferramentas e pode ser ativado para atingir dinâmicas de mercado injustificadas e desordenadas (…) Foi concebido para circunstâncias específicas, mas está disponível para todos os países da área do euro”. Contudo, para serem elegíveis ao IPT, os Estados-membros devem cumprir quatro critérios: 1º) Estar em conformidade com o quadro orçamental da UE; 2º) Não apresentarem graves desequilíbrios macroeconómicos; 3º) Sustentabilidade da dívida pública; e por fim, políticas macroeconómicas sólidas e sustentáveis que cumpram os compromissos apresentados no respetivo PRR.
Quanto ao PIB da zona euro e da EU registou, no 2T, uma subida de 4% em comparação com o período homólogo de 2021, crescendo ainda face aos primeiros três meses deste ano. Face a isto, em linha com o esperado, a confiança dos consumidores na Zona Euro voltou a registar nova queda em julho, com o indicador a fixar nos -27.0.